Blog do Chicão

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15/10/2007

Educação no Brasil - Dia dos professores

 

No Brasil todos defendem a educação. Da boca para fora, é lógico. Na prática ninguém a valoriza, o resultado é que temos um dos piores sistemas de ensino do planeta. Nossos alunos tiram notas piores do que "potências econômicas" como o Paraguai. Não há um só culpado. Existem inúmeros.

Vamos a alguns dados:

Em São Paulo, faltam professores em mais de 70% das escolas estaduais. Mesmo assim isto não é motivo para grandes discussões. Compare este problema com o tal apagão aéreo: qual é o mais importante e significativo? Qual esteve mais tempo na mídia? Quantas vezes você viu equipes de repórteres nas escolas, que não seja por motivos de crimes?

Incrível!!!! Mesmo assim o ex-governador de São Paulo foi considerado por 81% dos empresários como um exemplo de planejador e realizador. Se eles dessem o devido valor para a educação é provável que nem 3% o apoiasse.

Ou seja, investir em educação é perder a eleição. Que o diga a Luisa Erundina e Marta Suplicy. Quando o Serra assumiu ele detonou todos os programas que visavam gerar qualidade no ensino da prefeitura de S Paulo. Mesmo assim saiu bem avaliado da prefeitura. 

Hoje, dia 15, um jornal dá a notícia de que os professores do Acre recebem 39% a mais que um professor de S. Paulo. Uma barbaridade, levando em conta que o Acre é um estado pobre. 

E o que falar dos professores, dos pais e dos alunos? Também não assumem suas responsabilidades, com raras excessões. 

Temos que retomar o conceito de que educação é esforço e que este esforço é bem recompensado com uma vida melhor. Vida financeira melhor, vida pessoal melhor. Quem estuda com afinco desenvolve a capacidade de raciocíocínio, de resolutibilidade de problemas, além de disciplina e perseverança.

Nas campanhas que faço dedico parte do tempo a explicar aos pais que devem acompanhar e incentivar os filhos nos estudos. Eles devem estudar pelo menos 2 horas por dia em casa, repassando as lições dos dias anteriores. Recomendo aos pais a comprarem brinquedos pedagógicos, compartilharem com os vizinhos brinquedos como quebra-cabeça, etc. 

Os programas da família podem mudar: ao invés de irem a lanchonetes, irem a biliotecas públicas. Ao invés de refrigerante comprarem canetas e papel para desenho. Ao invés de televisão, brincadeiras educativas e estudos.

Eu explico também que eles podem e devem exigir que os professores passem lições mais difíceis para os alunos que possuem melhor base e mais esforço, portanto melhor desempenho.

Muito pode ser feito. Mas, estudos é esforço e dedicação.

PS: esqueci de escrever algo importante. A responsabilidde maior pela educação das crianças é:

1) dos pais

2) dos professores,

Com os recursos que existem a disposição poderíamos ter uma educação MUITÍSSIMO melhor.

Portanto, a desculpa do salário ruim como causa principal do baixo nível das escolas é conversa para boi dormir. Gostaria muito que fossem bem melhores, gostaria que houvesse mais treinamento também. Mas, não importa o salário o trabalho tem que ser muito bem feito. Como dizia Paulo Freire: para estudar precisa de vontade, giz e cuspe.

 

 

ESTAREI TE ESPERANDO MAIS VEZES. QUE TAL COLOCAR ESTE BLOG NOS SEUS FAVORITOS?

COLOQUE-O AGORA.

 

 

15/10/2007

Notinhas sobre a imprensa e o direito de informação

 

O direito à informação é tão importante quanto o direito à educação. A informação é a melhor forma de termos uma educação continuada de qualidade. Ou seja, a escola se complementa e se prolonga com a leitura de jornais, revistas, etc.

Hoje o direito a informação é corrompido, pois levar informação de forma sistematizada e organizada demanda tempo e dinheiro. Na prática, isto gera uma ditadura da informação baseada no fato de que quem tem dinheiro, ou seja, quem divulga o que interessa ao grande capital, tem acesso aos grandes anunciantes. É um problema sério, que uma sociedade que se propõem ser realmente democrática deve lutar bravamente para resolver.

Você imagina a Coca-cola anunciando em um jornal que defende que bebidas alcoólicas e refrigerantes (e sucos) sejam proibidos de fazerem quaisquer tipos de propaganda?

 

Veja abaixo alguns outros exemplos:

 

Quando a Fiesp levou um abaixo assinado (1 milhão de assinaturas) para protestar sobre a CPMF no Congresso a grande mídia cobriu o fato com estardalhaço, e o plebiscito da Vale? O plebiscito da campanha “A Vale é Nossa” alcançou um total de 3.447.989 milhões de votos e o plebiscito tornou-se um verdadeiro abaixo assinado popular. Pelo menos 24075 urnas foram organizadas em 3157 cidades brasileiras e 94,5% disseram “não” a privatização da Companhia Vale do Rio Doce, um número acachapante. A ditadura da informação imposta pela mídia corporativa é criminosa!

http://www.nogueirajr.blogspot.com/

Este é um dos melhores blogs do Brasil. Vale a pena conhecer.

 

 

Agora, a justiça vai

Boazinha essa nossa Justiça, não?. Em alguns bairros da periferia nem polícia chega perto, a não ser para achacar traficante. Mas a classe média ganhou até juizado especial em aeroportos. Tadinhos, precisam resolver problemas de atrasos de vôos, perda de bagagem, coisas realmente muito graves. Finalmente, temos Justiça neste País.

http://antijornalismo.blogspot.com/

 

 

Aécio Neves será chamado de mensaleiro também?

O ano era 1998. Aécio Neves era candidato a Deputado Federal e Eduardo Azeredo à reeleição de Governador.

Marcos Valério distribuiu dinheiro de Caixa-2 de campanha para vários candidatos. O inquérito da Polícia Federal aponta desvio de dinheiro público do Governo de Minas.

Aécio Neves recebeu R$ 110 mil de Marcos Valério, na campanha de 1998.

A imprensa passou a chamar de "mensaleiros" todos os políticos que receberam dinheiro de Marcos Valério.

Aécio também passará a ser tratado como "mensaleiro" pela imprensa?

 

 

Notinha sobre o Blog

Recebo um email perguntando sobre o porque de meu blog ter letras tão grandes... É simples, a população está envelhecendo e eu defendo a INCLUSÃO SOCIAL.

Você já ouviu falar de acessibilidade? Um palavrinha mágica que significa dar as pessoas acesso aos mesmos recursos que as pessoas ditas normais. É fantástico. É um mundo melhor sendo construído. Procure se informar.

 

 

Pois é, acredito que o Brasil precisa discutir menos nomes e mais propostas. Na eleição para presidente aconteceu algo incrível: o programa de governo de um dos candidatos teve que ser terminado as pressas, dias antes do primeiro turno. Ou seja, foi feito nas coxas; como todos os outros. Isto é um absurdo! O verdadeiro absurdo! Isto mostra que no Brasil ainda não entendemos a importância do estudo sério e profundo para gerar propostas viáveis para a solução dos nossos problemas.

Só propostas baseadas em estudos sérios é capaz de mudar o nosso país.

 

 

 

14/10/2007

A imprensa é golpista?

Este é um email remetido pelo blogueiro Alexandre Porto para um desses jornalistas “famosos”, por ser interessante coloco no meu blog.  Lembro a todos que  seguem este blog que não entrem no “jogo” de nomes. Não importa os nomes envolvidos e sim a clareza demonstrativa de manipulação e desvirtuamento da verdade.

 

O email:

A imprensa não gosta de ser chamada de golpista. No entanto insiste na lógica dos dois pesos e duas medidas. ...

Mas eu ainda sinto falta daquelas matérias do tipo: quem é quem; os infográficos com os históricos etc, etc. O que virou lugar comum no mensalão do PT. Onde está aquela imprensa investigativa?

Leia essa matéria.

STF: denunciada quadrilha de Azeredo

Procurador-geral, desembargadora, juízes federais, jornalistas e ministro do TST são acusados por formação de quadrilha Divulgação

Ministro do TST, Luiz Philippe Vieira Uma verdadeira organização criminosa atuou em Minas Gerais, nos últimos 13 anos, viabilizando a impunidade do senador Azeredo.

São membros do Judiciário Estadual e Federal, sendo o procurador Jarbas Soares, a desembargadora do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, Márcia Balbino, o advogado e ex-juiz do TRE/MG, José Arthur de Carvalho Pereira Filho, o ministro do TST, Luiz Philippe Vieira de Melo Filho, os juízes federais do Trabalho Adriana Campos Souza Freire Pimenta e João Alberto de Almeida, o serventuário da Justiça Federal do Trabalho, Ricardo Lima, a oficial de Justiça Aline Lacerda Barbato Tanuri Roque, os jornalistas Geraldo Melo Correia e Américo César Antunis, além do ex-procurador do Estado de Minas Gerais Arésio Antônio D´amasio e Silva.

Leia a matéria completa no site do NovoJornal


Me responda, com sinceridade.
Não é golpista uma imprensa que não noticia isso?
A imprensa mineira só falta publicar receitas de bolo.
O Jornal Nacional, ... nada. A Folha, O Estadão, O Globo ...
Esse silêncio existira se Azeredo fosse do PT?

Você provavelmente não foi informado, pois não saiu em lugar nenhum mesmo. Não te culpo e tenho certeza que você vai colocar no blog.

abraços.

Alexandre Porto

http://www.aleporto.com.br/

 

 

 

13/10/2007

A última paciente viva de Freud

 

Cristina Gawlas Viena, 10 out (EFE).- Apenas uma consulta de 45 minutos com o "pai da psicanálise" em 1936 bastou para "salvar" a última paciente conhecida ainda viva de Sigmund Freud, a vienense Margarethe Lutz, de 89 anos.

Segundo revelou à Agência Efe, ela sente "uma grande gratidão" por Freud, embora ele não tenha submetido a paciente a um tratamento de psicanálise propriamente dito: mantiveram apenas uma conversa.

Essa única consulta com Freud deixou uma lembrança inesquecível na então jovem de 18 anos, que morava com o pai e a madrasta, já que a mãe dela tinha morrido no parto.

"Freud me fez compreender que a família e uma educação rigorosa não são as únicas (coisas) que decidem, e que há outras possibilidades", afirmou a idosa.

Margarethe disse que o psiquiatra foi muito compreensivo com ela, na época uma jovem sem experiência que se sentia sozinha e que seguiu os conselhos do famoso doutor.

A octogenária afirma que buscava na ópera uma forma de fugir da realidade. Ela fingia interpretar grandes peças, como "Tristão e Isolda", para superar o isolamento imposto pelo pai.

Um dia, os operários que trabalhavam para o pai, dono de uma fábrica, a viram vestida como uma cantora da ópera de Richard Wagner e cantando. Eles ficaram escandalizados, contaram o fato para o pai da jovem e a chamaram de "louca".

O pai de Margarethe resolveu consultar o médico da família. O doutor disse que a jovem não sofria de nenhuma doença física, mas sim da "alma".

O doutor marcou uma consulta com um "médico de muito boa fama, mas muito caro", Freud, que já era famoso na época, mas de quem pai e filha nunca tinham ouvido falar. Margarethe não compreendeu então a importância histórica do encontro.

A paciente de Freud conta que o pai estava sempre ocupado e era muito rígido. Além disso, proibia o contato com jovens da mesma idade e a mantinha isolada, para evitar que conhecesse algum rapaz.

"Ninguém falava comigo", afirma Margarethe.

Aos 89 anos e viúva há 17, ela continua fazendo esculturas e pintando. O último trabalho dela é um retrato em relevo da ganhadora do prêmio Nobel da Paz Bertha Von Suttner, que ficará pendurado nas paredes da casa em Viena onde passou a maior parte da vida.

Além disso, ela costuma visitar as duas filhas do casamento de 35 anos. Uma vive na Califórnia (Estados Unidos) e a outra em Israel.

Da consulta com Freud há 71 anos, ela se lembra do famoso divã coberto com um tapete persa no consultório - apesar de não ter chegado a se deitar nele - e de prateleiras cheias de livros e objetos de escavações arqueológicas, que o psicanalista colecionava.

Freud começou a fazer perguntas da vida da jovem e o pai de Margarethe resolveu respondê-las pela filha.

O "pai da psicanálise" pediu que ele o deixasse a sós com a filha, algo que o industrial aceitou, embora contrariado.

Uma vez a sós com Freud, Margarethe disse que tirava notas baixas no colégio, gostava de interpretar peças dramáticas e que o pai a levava ao cinema, mas a obrigava a sair da sala quando eram exibidas cenas amorosas.

Margarethe disse que achou Freud simplesmente "um homem velho" e não voltou ao consultório na rua de Berggasse (Viena) até o ano passado, apesar do local já não ser mais o mesmo.

O semanário "Profil" - que descobriu a única paciente viva - lembrou que o "pai da psicanálise" estava com câncer na boca desde 1923, o que obrigou a se submeter a várias operações dolorosas.

Na época já tinha publicado suas principais obras, como "Três ensaios para uma teoria sexual", "A interpretação dos sonhos" e "Totem e tabu", entre outras.

Freud recomendou que da próxima vez que fosse ao cinema continuasse sentada quando um casal se beijasse na tela. Além disso, aconselhou Margarethe a fazer esportes, ir a bailes e a ter contato com jovens da idade dela.

Como o industrial respeitava as opiniões de médicos, em particular a de Freud, aceitou os conselhos para a filha, que foram corretos. Margarethe chegou a se emancipar, conheceu o futuro marido e se casou aos 20 anos, em 1938.

Além disso, ela nunca precisou de psicanálise nem de psicoterapia. Margarethe também não leu os livros de Freud, um gênio que, perante a pressão dos nazistas e por ser judeu, foi obrigado a se exilar logo em seguida na Inglaterra, onde morreria dois anos depois.

 

 

 

13/10/2007

Prosa do Chicão:

 

Ser o que se é

 

 

 

Para quem quer ser o que se é,

fundamental é destruir o desejo de ser amado

 e aprovado pelas pessoas.

Aprenda: as pessoas amam o que elas gostam e não o que você é. 

Ou, melhor dizendo, poucos nos amam pelo que somos; 

estes não nos aprisionam e nem nos oprimem.

 

 

 

11/10/2007

Sou louca!

Suelydam

 

Nessa loucura gostosa

 de te amar a toda prosa

querer encostar, te pegar

de deixar adentrar

e comigo chegar...

 

Onde?

Onde tua imaginação deixar

sonhe, vagueie, descubra

sou o mapa do teu destino

ande por ele até encontrar...

 

O que?

Ah! me encontre...

nas linhas de tua vida

nas ondas de tua praia

nas entrelinhas de tua historia

 

Vem?

Fazer o que?...

 

Lamber-me os poros

tocar-me os sentidos

tatear-me sofrido

me levar ao êxtase...

 

Melhor coisa é ser louca

e nessa loucura saber

que nada é melhor que a insanidade

de ser uma louca mulher!

 

ah... minha loucura... é você!

 

 

 

Muitas mulheres gostam de sexo. Mas, poucas se exprimem com orgulho sobre sua sexualidade, seja sob a forma de poesia, seja sob a forma de fotografia ou desenho. Menos ainda de forma explícita. Talvez por retraimento, talvez por excessiva delicadeza. 

Em homenagem as mulheres que se fazem livres e criativas, expressando seu desejo e realização sob a forma de poesia, irei publicar no blog várias poesias feitas por elas, para nós homens.

 

 

10/10/2007

Correr riscos para viver melhor

 

Me convidaram para dar uma palestra em uma escola pública da periferia. A classe era do ensino médio (antigo 2º grau), noturno. Isto significa que quase todo mundo tinha ocupação. A maioria trabalhava, algumas cuidavam da casa para os pais trabalharem. Pessoas lutadoras, a exceção de dois ou três. Eu gosto de gente assim. Este é o primeiro passo para as pessoas crescerem econômica e espiritualmente.

Em dado momento da palestra pedi para eles me mostrarem seus celulares. Todos levantaram as mãos, mostrando celulares caros, já que eram símbolos de status. Então eu falei: “estes celulares são o símbolo da pobreza econômica futura e da pobreza intelectual no presente”. Eles ficaram me olhando com aquelas risadinhas típicas de adolescentes. Como eles não entenderam falei novamente utilizando termos bem mais duros. Pedi para eles me escutarem, já que poderiam aprender algo comigo. E arrematei: "poderia estar em muitos lugares agora. Se escolhi estar aqui é porque quero lhes falar de algo que pode lhes ajudar”. E a palestra continuou ...

Vamos aos dados de realidade:

- A maioria deles ganha até 800 reais/mês. Os celulares em questão custam bem mais do que isto.

- Para gastar mais do que um salário em um bem de consumo é porque se dá muito valor ao bem.

- Mais do que isto: eles acreditam que precisam daquele bem e que sem ele a vida ficará pior.

- O diferencial entre um celular de 90 reais e um de 1000 reais é o status que ele proporciona. Ou seja, o celular passa a ser uma forma de “dizer” quem a pessoa é. Esta capacidade de comunicação é transferida do indivíduo para o bem de consumo.

- Como a maioria tinha celular de 1000 reais (assim todos eram mais ou menos iguais), há a necessidade de valorizar outros símbolos de status, já que o status serve para diferenciar as pessoas. Cada símbolo deste significa mais dinheiro investido na manutenção do status.

- Como o ganho destas pessoas é limitado, a capacidade de ter símbolos de status é muito limitado. Portanto, a baixa auto-estima é a conseqüência lógica desta escolha na vida.

- Ou seja, trabalha muito, investe muito nestes símbolos e consegue pouquíssimo resultados.

- As fábricas de celulares e as operadoras aumentam seus faturamentos e eles perdem oportunidade de investir. Esta é a regra da humanidade: quem cria as necessidades fica rico e recebe as melhores recompensas sociais. Quem acredita nestas necessidades fica pobre, sem auto-estima, sonhando com uma vida diferente.

 

Dito isto vamos à solução:

a) não acredite nos símbolos de status. Ou seja, aceite o risco de não ser “fashion”, "da moda" "poderosa". Quem exigir de você algo que seja alheio às suas qualidades pessoais estará querendo te desviar de um bom caminho. Portanto, aceite perder.

b) aceite que de início estas pessoas que buscam status pareceram “estar ganhando”, pois é muito mais simples comprar um celular, do que investir para ter uma casa (por exemplo).

c) aumente sua auto-estima procurando saber claramente quais são as suas qualidades e faça propaganda delas.

d) saiba tolerar a frustração. A maior parte das pessoas exige menos de si, pois é uma forma de atingir o alívio. Fique esperto. Esteja pronto para sofrer naquilo que é realmente importante: ter uma habilidade e fazer muito bem feito, superbem feito, o que se quer fazer. Para isto deve-se estudar muito, várias horas por dia e praticar bastante. (pode-se sofrer porque não tem a calça de tal marca ou porque está estudando física. Qual é a melhor opção?)

e) saiba que os anos passam e que quem escolher um caminho que promova as habilidades pessoais será muito bem recompensado. Isto se aprender a fazer bem feito e se estudar muito, muito mesmo.

Dei um exemplo de uma pessoa que eles conheciam:

Esta pessoa trabalhou como eles, só que investiu seu dinheiro contratando um professor particular que lhe incentivava e o orientava nos estudos. Ficou mais pobre que os amigos durante vários anos, já que o dinheiro que ganhava era destinado a pagar este professor e os livros. Ele também tinha menos tempo para se divertir, já que estudava bastante. Este esforço durou alguns anos (5 precisamente). Nestes 5 anos ele teve de tolerar a frustração de: ser mais pobre que os amigos, ter menos tempo que os amigos, ter menos status que os amigos. Devido ao seu esforço bem orientado, ele entrou numa ótima faculdade pública. Estudou muito; e finalmente as menininhas do bairro começaram a se interessar por ele. Ele se formou, conseguiu um ótimo emprego, começou a ganhar muita grana. Comprou casa boa, carro bom, roupa boa, foi a bons restaurante, não porque eram símbolos de status, mas porque tinha dinheiro o suficiente para ter tudo isto. Ou seja, ele passou a usufruir dos benefícios referentes aos 5 anos em que foi mais pobre, porque investiu no lugar certo.

Durante décadas ele vai ter, como já tem hoje em dia, muitas mulheres interessadas nele, e o que é melhor: tem auto-estima e uma vida boa. Isto é muito melhor do que ter status.

Foram alguns anos desenvolvendo o que realmente era importante, tolerando a frustração de supostamente ser pior do que outros. E várias décadas colhendo deste fruto.

 

ELE ACEITOU A PERDER E AGUENTAR A FRUSTRAÇÃO DE NÃO TER AQUILO QUE A SOCIEDADE DE CONSUMO VALORIZA.  

 

 

 

Ter coragem de ser diferente.

Ter coragem para experimentar.

É assim que se produz o belo,

que dura e alegra.

Perpetuar o belo,

não há gratidão maior para com Deus.

 

 

 

09/10/2007

Alguns textos de outros meses

 

A história de Juliana 

Marconi caiu na real

Animais de criação: uma extinção por mês

Conversa no supermercado 

Gasto de custeio do governo federal - Mais uma manipulação da mídia

Paz em Israel. Guerra no Brasil.

Livro escolar e a paixão da editora Abril pelo PSDB e o Fernando Henrique

A primeira noite com Maria de Lourdes

Um pouco sobre o Irã

A LUA NO CINEMA (poesia)

 

clique aqui para lê-los

 

 

para descontrair...

 

 

09/10/2007

Meus dois amigos e a CPMF

 

Quem segue meu blog sabe que adoro andar de bicicleta. Aproveito para colocar a conversa em dia com vários amigos “bikers”. Outro dia estavam dois deles comigo. Um deles dono de padarias e lojas de alimentos e o outro médico de um hospital público, aqui no estado de São Paulo.

O dono da padaria falava da dificuldade de ter bons funcionários, porém estava exultante porque a CPMF ia acabar... Ele contou que era o rei da sonegação, “ninguém agüenta tanto imposto”. Logo em seguida falou, debochando, que só o Chicão (eu) não sonega. Normalmente eu levo na brincadeira, mas, por algum motivo fiquei puto e falei: “você pensa que não faz mal para as pessoas? Você vai ficar com o dinheiro para você. Mas, o Dr. ... vai ficar sem aumento do seu salário”.

Meu amigo doutor levantou sua orelha, afinal mexi no bolso dele. Ele não entendia porque a CPMF ia impedir o aumento do seu salário. Tem gente que acha que o dinheiro cai do céu...

Eu disse: “como é que o governo vai poder aumentar a tabela do SUS se perder o dinheiro da CPMF? São 15 bilhões por ano que vai para o SUS. 15 bilhões é muito dinheiro”. Basicamente se não há aumento na tabela do SUS o faturamento do hospital não aumenta, com isto médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, etc. ficam sem aumento. É básico e é lógico.

A CPMF acaba e a situação fica assim: quem sonega ganha, mais ainda. Quem trabalha perde. As grandes multinacionais vão poder mandar mais dinheiro para as suas matrizes. As grandes fortunas vão poder aumentar mais ainda.

Ou seja, o dinheiro em uma sociedade roda e roda, quem fica rico é aquele que consegue que o dinheiro pare no bolso dele.

É por isto que os grandes empresários e os donos milionários das grandes redes de TV e jornais fazem tanta campanha contra a CPMF. Porque o grosso do dinheiro vai parar no bolso deles.

Não seria muito mais lógico manter a CPMF e aumentar o desconto por dependente no IR ou aumentar o desconto para os gastos com educação (que são mais importantes para o Brasil)? Para a classe média é muito melhor, mas para os grandes investidores não. Portanto, a solução deve ser aquilo que é melhor para eles. E os bobos de classe média ficam repetindo aquilo que vai encher os bolsos dos bem ricos e das grandes empresas de dinheiro.

 

Do painel do Leitor, FSP, 01/10/07
"Não vejo motivo para que alguns berrem tanto contra a CPMF -há outros impostos muito mais onerosos. Pensando bem, a CPMF é um imposto relativamente justo: quem movimenta muito dinheiro paga mais, quem movimenta menos paga menos. Parece-me que todos pagam. Os outros impostos caem de preferência na conta dos trabalhadores. A burguesia e a classe alta fazem todo o possível para ludibriar o governo e não pagar o devido imposto. Nós, os trabalhadores, não temos escapatória: o imposto já vem descontado na folha de pagamento. Se é para lutar contra os impostos, por que não combater o imposto pago pelos trabalhadores? Quem deveria pagar imposto é a burguesia e a classe alta. A gritaria contra a CPMF ocorre porque ela incide sobre o dinheiro da burguesia. A vontade dessa classe é não pagar nada, deixar tudo para os trabalhadores pagarem. Esta é a ética possível no regime capitalista."
JOSÉ LOURENÇO CINDRA (Guaratinguetá, SP)

 

Nota do Chicão: o ponto central não é um pagar e o outro não. Isto é um pensamento simplista. A questão é: uma sociedade em que há distribuição de renda há mais geração de empregos e, por suas vez, mais circulação de dinheiro. Ou seja, quantas vezes vai ao ginecologista por ano uma mulher que ganha R$ 1.000,00? Quantas vezes vai ao ginecologista por ano uma mulher que ganha R$ 100.000,00? Exatamente a mesma quantidade de vezes. Ou seja, para quem é dentista, médico, advogado, engenheiro, etc vale mais a pena ter uma sociedade onde existam um monte de pessoas que ganham entre 2 e 5 mil reais. Ou seja, quanto mais distribuição de renda mais emprego para a classe média e mais empreendimentos da classe média tornam-se viáveis.

As leis são organizadas para a classe alta e as grandes empresas pagarem pouquíssimos impostos. Como a classe média, que é cega e boba, ganha algumas migalhas ela acha que está levando vantagem. Observe uma lei que garante a quem aposenta por invalidez isenção do Imposto de Renda (IR):

a)      quem não paga imposto não tem direito a este benefício (os mais pobres)

b)      quem ganha 3 mil reais/mês, tem alguns benefícios (dependendo da situação algumas centenas de reais, em outras alguns poucos milhares, mas a maioria tem benefício de centenas de reais).

c)      Quem fatura 50.000,00/mês tem uma monstruosidade de benefício, que supera a barreira de 100 mil reais por ano.

Onde a classe média perde: ela perde de duas formas, pois costumeiramente precisa usar o serviço público quando tem problemas de saúde de alta-complexidade que a maior parte dos planos de saúde não cobram e descobre que o dinheiro ficou com os mais ricos, os muito ricos (nesta hora - dos custos do tratamento- a classe média descobre que é pobre). Perde também quando os limites de deduções não são aumentados e quando a tabela de cobrança do imposto de renda não é corrigida segundo a inflação (nos anos FHC-PSDB a tabela ficou vários anos sem correção).

Toda as vezes que fizerem uma campanha contra imposto é bom ficar atento, pois são divulgadas somente as soluções que vão beneficiar os que estão no topo da pirâmide social e as grandes empresas. Pense sempre: vai gerar distribuição de renda? É bom para os pobres e para os que ganham menos? Quase sempre os interesses da classe média é igual ao interesse dos mais pobres.

 

Quase sempre os interesses da classe média é igual ao interesse dos mais pobres.  

 

Saiba mais:

Golpe contra a classe média: fim da CPMF

CPMF e a mídia agindo em causa própria

 

 

Recebi esta imagem por email de um leitor.

Achei legal e coloquei aqui.

Mande seus comentários, que ficarei feliz.

O email é: chicaodoispassos@yahoo.com.br

 

 

 

08/10/2007

Pílulas ecológicas e cidadania

 

Notícia Legal: o filhote de rinoceronte negro acima nasceu em Telavive, Israel. Esta espécie está ameaçada de extinção (há menos de 3 mil soltos na natureza) e é difícil a reprodução em cativeiro. O grande desafio do zoológico é reproduzir as condições naturais adequadas para esta reprodução. São anos de estudo e de observação desta espécie.

A mamãe chama-se Tanda. Parabéns Tanda!

  

Notícia triste: Foi assassinado em Cuiabá o ecologista Luiz Carlos F. Martins. Ele foi um dos fundadores da Associação Mato-grossense de Ecologia. Escolheu ser  fiscal do meio ambiente justamente para poder atuar firme nesta área. Um cara de valor que vivia 24 horas por dia sua decisão de defender a natureza.

Ele estava multando uma queimada irregular, com o talão de multa na mão, no momento em que foi morto.

Este ano, com a seca e a recuperação dos preços das comodities agrícolas, as queimadas aumentaram muito. Cuiabá passou vários dias coberta de fumaça, com crianças usando máscaras para irem à escola. Um horror!

A destruição da Amazônia é um verdadeiro foroeste, realizada em cima da violência e da desobediência às leis. Este pessoal está disposto a tudo. Existem senadores que estão insatisfeitos com o trabalho da comissão contra o trabalho escravo do ministério do trabalho. Existem fazendeiros ameaçando e expulsando repórteres e membros do Greenpeace de cidades.  Não é fácil.

Aqui no estado de S. Paulo o José Serra se propõem a legalizar (doar) terras no Pontal do Paranapanema para grandes grilheiros. São terras públicas que eles tentam a décadas legalizá-las, ou seja, tornar dono delas - enquanto o povo vê o patrimônio público parar no bolso de alguns. Quando o MST invade estas fazendas, que estão em áreas públicas, a mídia apresenta estes delinqüentes travestidos em fazendeiros como “proprietários”.

 

 

Eleição chegando: 2008 está aí para os políticos candidatos, e o prefeito de São Paulo lançou mais um pacote viário. Pontes, túneis, avenidas, tudo para os carros andarem felizes por S. Paulo. Para ciclovia uma merreca. Investimento em transporte público uma merreca.

Sinceramente, eu não julgo mal (por investir nestas coisas) o prefeito, ele é político e quer votos. O que dá votos são obras viárias. Quantos defensores da ecologia deixam de andar de carro particular? Não é justo cobrar do prefeito que ele se sacrifique por pessoas que não querem se sacrificar.

A solução: começarmos a denunciar o quanto é prejudicial para a cidade a construção de mais áreas de trânsito para carros. O orçamento de SP poderia prever apenas investimentos em:

a) ciclovias

b) vias exclusivas para ônibus

c) metrô

 O lema poderia ser: mais pontes mais carros. Mais metrô menos carros.

 

 

Um grupo de entidades ecológicas lançou um plano chamado: Pacto contra o Desmatamento.

O nome na verdade é extenso – Pacto Nacional pela Valorização da Floresta e pelo Fim do Desmatamento na Amazônia.

Saiba mais em:

www.amazonia.org.br

 

 O governo federal – Ministério da educação – tem um site chamado domínio público. São milhares de obras – músicas, livros, poesias, etc. Vale a pena conhecer:

www.dominiopublico.gov.br

 

 

O Brasil é mesmo incrível. A revista Época fez uma entrevista com o Aécio Neves e não fez nenhuma pergunta sobre as denúncias do seu envolvimento com o Marcos Valério quando da sua campanha a deputado federal em 1998 (valores de R$119.000,00). Vocês imaginam o mesmo acontecendo se fosse alguém do PT, PMDB e outros da base aliada do governo. Eu, particularmente, pouco me importo com a política partidária. Mas, como cidadão, faço questão de receber informações que podem ter um pouco de confiabilidade. É por isto que hoje leio vários blogs, o que não fazia antes.

Já que falei disto gostaria de pedir um favor para vocês. Me ajudem a divulgar meu blog. Repassem as mensagens e divulguem o endereço do Blog.

http://blogchicao.tripod.com/

 

 

Um pouco de história:

As eleições começam anos antes. Enquanto as pessoas cuidam de suas vidas, as empresas, principalmente as jornalísticas, preparam seus planos estratégicos. Para elas é fundamental um bom relacionamento econômico e ideológico com os políticos. Para isto elas tentam, anos antes, cacifar alguns candidatos que são “amigos” para ver se algum emplaca. A tática é sempre a mesma. Cacifa vários e espera para ver qual deles consegue se afirmar.

Atualmente estamos assistindo uma tentativa desesperada de levantar a bola do prefeito de S. Paulo. Ele e, é lógico, o Alckmin são os candidatos do grande capital. Abaixo seguem duas capas da revista Veja que cumpriram esta função: cacifar  e ver o que acontece.

 

 

 

 

06/10/2007

Da série – educação pública

Alunos beneficiados por cotas possuem melhores notas e abandonam menos que os demais universitários

 

Estudos feitos por ONG Educafro, UERJ e Unicamp demonstram uma notável evolução dos alunos que conseguem entrar na universidade através de cotas e outros benefícios (como pontuação extra, prouni, etc).

A grande campanha de negativização da política de cotas sempre foi baseada no nível dos alunos que viriam do ensino público. Segundo estas pessoas o ensino público forma semi-analfabetos que levariam a qualidade dos cursos para o fundo do poço. Me lembro de uma pergunta feita por um articulista/jornalista da editora Abril: “você teria coragem de ir a um médico que entrou na faculdade graças a uma vaga reservada”? A intenção era gerar insegurança e também preconceito.

Preconceito um: pobre é burro e mal preparado. Não é verdade. Existe uma elite de alunos no ensino público. Alunos dedicados, filhos de famílias que consideram os estudos tudo que há de importante na vida dos filhos. (em breve contarei um caso destes aqui). São pessoas simples e humildes que compram livros para os filhos lerem, que os incentiva a freqüentarem bibliotecas públicas. Eu ajudei uma mãe que criava os filhos sozinha e que buscava livros e revistas no lixo para os filhos lerem e estudarem. As crianças desta senhora hoje são engenheiros e advogados, bons engenheiros e bons advogados.

Preconceito dois: quem entra na faculdade através do vestibular normal o faz baseado em competência. Mentira! Quem já freqüentou a faculdade sabe o quanto há de alunos limitados lá dentro. O vestibular é principalmente treino de fazer vestibular. Tanto é que os cursinhos pré-vestibular fazem muito sucesso. Tanto é que as pessoas que entraram através do vestibular “normal”, no ano seguinte, já não sabem mais nada do que estudaram para o vestibular. Como dizia a música do Beto Guedes: “a lição sabemos de cor, só nos resta aprender”.

Preconceito três: negativização da atuação dos alunos bolsistas e cotistas após a entrada na faculdade. Consideram que eles não vão se esforçar. Ocorre exatamente ao contrário. Um moleque que estava numa escola pública horrível e que consegue superar esta barreira enorme tem muito mais garra e perseverança. A imensa maioria agarra firme a oportunidade e luta bravamente para aproveitá-la. Muitos desafios devem ser vencidos, mas, com apoio e com o aprendizado das próprias instituições em lidar com este público, ele serão progressivamente vencidos.

Este é mais um exemplo de proposta de inclusão social que está dando bons frutos. Está na hora de nós, Brasileiros (com B maiúsculo), pararmos de sermos destrutivos e observarmos a realidade para aprender com ela.

  

“Todos os indicadores relativos ao ProUni têm sido positivos. Uma das principais críticas ao programa, a de que ele prejudicaria o nível de ensino das faculdades, não se confirmou. O Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), de 2006, apontou que os bolsistas do ProUni tiveram desempenho superior aos demais em 14 das 15 áreas do conhecimento avaliadas. Conforme o secretário de Educação Superior, Ronaldo Mota, "os resultados do Enade demonstram que o ProUni não só atinge um grande contingente de alunos, mas qualifica a educação superior. Invariavelmente, os beneficiários do ProUni têm apresentado rendimento acadêmico superior aos não-bolsistas". O ProUni foi criado pelo governo federal em 2004, e institucionalizado no ano seguinte. A iniciativa concede bolsas de estudos integrais e parciais a estudantes de cursos de graduação e seqüência i s de formação específica, em instituições privadas de ensino. Em contrapartida, os estabelecimentos recebem isenção de alguns tributos. O programa Universidade para Todos é dirigido aos estudantes egressos do ensino médio da rede pública ou da rede particular na condição de bolsistas integrais, cuja renda familiar per capita máxima é de três salários mínimos. A seleção dos candidatos é feita pelo Enem - Exame Nacional do Ensino Médio”. (boletim Em Questão)

 

Abaixo a realidade que as crianças devem superar:

“A cobaia da experimentação será a área da educação, em que os professores recebem salário-base médio de R$ 680 e trabalham em condições extremamente precárias, com superlotação de salas de aula, falta de material pedagógico e humano, excessivas e longas jornadas de trabalho, adoecimento, desgaste emocional e, somando a tudo isso, uma vertiginosa violência a massacrar todos no ambiente escolar que, por princípio, deveria ser o lugar da construção da civilidade.
As políticas salariais de bônus e gratificações adotadas nos últimos anos pelo próprio governo tucano não só fracassaram como também destruíram a carreira do magistério paulista, tendo como conseqüência o que revelou a última avaliação do MEC, classificando a rede estadual de São Paulo como uma das seis piores do Brasil”. Do vereador Carlos Neder

 

 

05/10/2007

A desvalorização do Brasileiro

 

Observem as pinturas abaixo e vejam as diferentes realidades que retratam.

 

 

Nesta obra-prima, o pintor Toulouse Lautrec, retrata a cultura na qual viveu. Esta era a legítima expressão deste povo. Esta é a verdade deles. É o que eles são, a sua cultura e seu modo de ser. Ou seja, retrata não uma imagem, não uma estereotipia e sim a realidade. Observem as roupas, o ambiente e o maneirismo. Tudo fruto de uma cultura que se valoriza e que respeita o seu modo de ser e viver.

Esta forma de ser e viver passou a ser o objetivo daqueles que vieram habitar a "Terra Brasilis". O que na França era fruto da realidade aqui passou a ser fruto de uma imagem e de um desejo. Ora, se no nosso país as pessoas desejavam ser como em outras culturas é porque o que havia por aqui não era valorizado. A essência deste desejo é a desvalorização do que era próprio da cultura brasileira. Assim fomos acostumados a achar normal desvalorizar nosso país e suas manifestações culturais e econômicas.

Rubens Barrichelo é chamado de "rubinho pé-de-chinelo", e todos riem. Sim, o piloto que ganha U$6 milhões por ano, que pilota na principal categoria do automobilismo e que ganhou várias corridas é chamado de "pé-de-chinelo". E todos riem. Brincadeira, dizem. Brincadeira uma ova! É a tal desvalorização agindo de forma mais sutil. Aquele que deveria ser exemplo é desvalorizado. Um ótimo exemplo aliás. Exemplo de caráter e exemplo de que as pessoas podem ser vitoriosas mesmo sem ser campeãs.

O mesmo acontece com a pobreza brasileira. Aliás, se acontece com um cara como o Rubinho, imagina com o negrinho da favela. É desqualificação maciça. Outro dia escutei de uma mãe muito humilde: "a professora falou que ele (o filho) é muito inteligente, pena que está na escola pública". Caramba! A preguiçosa não quer se esforçar para ensinar um aluno que aprende mais rápido e acha isto a coisa mais normal do mundo. E a classe média (que só conhece a pobreza quando a Tv mostra crimes ou quando vai explorá-lo no trabalho) não consegue entender que neste meio existem crianças e adolecentes inteligentes, esforçados e muito capazes. Estas crianças só necessitam de apoio, estímulo e orientação para conseguirem chegar até os postos mais altos da sociedade.

Me lembro de um adolescente feliz da vida me dizendo: "agora estudo com mais vontade. Com o PROUNI sei é verdade que poderei fazer uma faculdade". Este estímulo está fazendo efeito em milhares e milhares de lares humildes, valorizando o esforço necessário para a educação.

Eles, os mais pobres, precisam de estímulo da mesma forma que as crianças mais "bem de vida". Hoje há uma política maciça de desestímulo. Maus exemplos na televisão, excesso de estímulo ao consumismo, propaganda excessiva sobre esportes e pouco sobre os estudos, etc. Constantemente, nos filmes, aquele que se esforça para estudar é retratado como um "nerd" idiota e cheio de problemas. 

Outro boicote é a situação da educação pública. Aqui em SP falta professor em mais de 70% das escolas estaduais. Isto mesmo! Falta professor em mais de 70% das escolas ESTADUAIS. Isto não é escândalo, não é notícia, não é nada. Não é nada... numa reunião de empresários mauricinhos em 2006 o ex-gov. G. Alckmin foi considerado o melhor planejador do Brasil. Fez campanha falando de ética (?) e de melhorar a educação do povo. Parece piada, mas não é.

A classe média finge que valoriza a educação pública, mas na prática não valoriza nada. Pensa que não é problema dela. É a classe média boba. Pois, se melhorarem a escola pública ela poderá colocar seus filhos lá e economizar muitos milhares de reais. Dinheiro que ela ganha suado e que não pode usufruir (usando a escola pública) porque os caras em que ela vota sempre cuidaram de detonar o serviço público. 

Aí ela reclama que os impostos são altos e que não há retorno pelo que ela paga. Diminuem os impostos e os ricos ficam mais ricos, as multinacionais mandam mais dinheiro para o exterior... E a escola pública uma porcaria. A classe média jura que está fazendo bom negócio ao se identificarem com os muito ricos. Ela tem que aprender que na imensa maioria das vezes o seu interesse coincide com o interesse das classes populares. Escola boa economiza dinheiro para ela e para o Brasil. Além de melhorar o nível da mão de obra e facilitar o desenvolvimento do país (o que gera bons empregos para a classe média).

O caminho para melhorar a escola é valorizar os alunos, acreditar em seu potencial. Assim pode-se exigir muito de nossas crianças, porque elas são capazes. Pode-se exigir muito dos pais, porque eles estão dispostos a cooperar. E exigir muito dos professores, pois eles tem condição de render mais do que estão rendendo.

VALORIZAR, ACREDITAR E EXIGIR.

Também deve-se fazer uma campanha imensa e contínua mostrando que aqueles alunos que se esforçaram conseguem ter uma vida melhor. Melhor não só no plano financeiro, mas, principalmente, na capacidade de resolver os problemas da vida cotidiana.

Por fim, deve-se dar melhores condições materiais, melhores salários e mais treinamento. Mas nada, jamais, substitui o esforço pessoal e a dedicação ao estudo.

 

 

Esta é uma obra do Cândido Portinari. Alguém que valorizou nosso país, valorizou nosso povo e nossa cultura. Onde muitos cultivavam o preconceito ele viu beleza e a riqueza da vida brasileira. Ele valorizou nossa vida, assim como o T. Lautrec valorizou a vida na França. Os dois foram gênios por isto. Eu, da minha parte, aprendi a valorizar nosso povo, nossas crianças. É por isto que ajudo várias delas a estudar para ter uma vida melhor. Ensino seus pais a investirem na educação e a romperem com o condicionamento burguês consumista. Por exemplo: em várias reuniões que fiz descobri que todos os pais, bons pais, compravam refrigerantes para os filhos (como sinal de amor), muitos gostariam de levá-los ao Mc Donald´s. Mas, nenhum havia comprado brinquedos pedagógicos para os filhos, assim como não compravam material de desenho, tesoura, livros infantis, etc. Eu mostro para eles que com o dinheiro do refrigerante eles podem comprar material pedagógico e estimular os filhos naquilo que realmente importa na vida deles. Ensino a fazer compra em conjunto, dou dicas sobre o que comprar e mostro muitos exemplos de pessoas como eles que investiram na educação dos filhos e os filhos se tornaram pessoas "importantes": gerentes de lojas, advogados, professores, etc. Basicamente ensino-os a se valorizarem, a acreditarem que eles podem oferecer algo muito bom para os filhos. Ensino método de estudos e a importância dos filhos estudarem todos os dias em casa, pelo menos 2 horas. Ensino eles a ajudarem os filhos nas pesquisas escolares. Ensino que eles podem estimular os filhos a lerem livros e a ficarem menos tempo na frente da TV, etc. etc. 

Eu vejo o resultado do trabalho. Eu vejo muitas crianças capazes e esforçadas. Por isto quase vomito quando burgueses que só sabem sonegar impostos declaram que os pobres vão rebaixar o nível das universidades. Um dia, talvez quando morrerem, descobrirão o quanto fizerem mal a eles próprios e as pessoas em geral ao serem portadores de tamanho preconceito e maldade

 

 

 

 

04/10/2007

O seguro desemprego e a cultura brasileira

 

Manchetes de jornal:

- Despesas com o seguro desemprego sobem 17,3% ao ano e dobra nos últimos 5 anos. 

- Pagamentos feitos pelo Ministério do Trabalho saltaram de R$ 5,7 bilhões para R$ 12,7 bilhões em 2007.

“Na avaliação de técnicos do governo, o Brasil está vivendo uma espécie de “paradoxo do crescimento”. O paradoxo seria explicado pelo crescimento acelerado do número de pessoas empregadas no setor formal e pela alta rotatividade da mão-de-obra, estimulada, entre outras coisas, pela possibilidade de saque do FGTS e pela perspectiva de rápida recolocação no mercado de trabalho” (agência estado).

O resto da notícia é lixo e lhes pouparei.

 

Nota do Chicão: o seguro desemprego é um dos mais importantes benefícios sociais de todos os tempos. A lógica é a seguinte: se não existe empregos para todos, não é justo que alguns (os desempregados) “paguem” sozinhos por esta dificuldade da sociedade em criar empregos. O custo é dividido entre todos e utilizado por quem precisa.

Quando se cria um direito imediatamente cria-se a possibilidade de haver abuso. Como são milhões e milhões de pessoas, é praticamente impossível controlar os abusos.

Apesar da imensa maioria das pessoas utilizar corretamente este benefício, o que vai marcar a mente das pessoas é o negativo, ou seja, aqueles que o utilizam de forma errada.

A mente defensiva e retrógrada da maior parte dos brasileiros percebe esta realidade (de alguns abusarem deste direito) da seguinte forma: os malandros levam vantagem e os corretos prejuízo. Como não querem levar prejuízo, com o tempo e a oportunidade, acabam seguindo um caminho ruim, que é se juntar aos malandros que abusam do direito.

É um círculo vicioso: a) a mente das pessoas “dá prioridade” mental ao que é o negativo. b) na memória fica gravado o que é negativo, induzindo à raiva e rancor. c) isto gera egoísmo e desgaste psíquico, a saída para a situação é a alienação da realidade. d) com extrema dificuldade em raciocinar logicamente e racionalmente, as pessoas acabam se “emburrecendo” e perdendo o seu dinamismo e capacidade de encontrar soluções. e) agindo sem raciocinar acabam reproduzindo os padrões culturais negativos.

Vocês duvidam disso? Então vou contar como funciona na prática...

O empregado chega até o patrão e propõe: “você finge que me demite e eu retiro o FGTS e pego algumas prestações do seguro desemprego”. O patrão pensa: “eu fico 6 meses sem recolher INSS, FGTS, etc, deste funcionário. E o melhor: ele não poderá entrar na justiça trabalhista reclamando direitos ao período anterior a demissão e ao período de trabalho “sem carteira”.

Observem bem: o erro do empregado o deixa de “rabo preso” com o patrão. Os dois ganham? Errado. Tem gente que vive de ilusão e acredita nela. Este é um caso. A maior parte destas pessoas passam por enormes dificuldades na vida, que tem origem na dificuldade em romper com o padrão de negatividade.

Quando eu comecei a ser 100% correto achei que iria perder muito. E é verdade, perdi mesmo. Só que comecei a ganhar mais ainda. As perdas aumentaram, só que os ganhos se multiplicaram. E os ganhos se multiplicaram porque desenvolvi muitas habilidades: capacidade de tolerar a frustração, maior produtividade, mais capacidade de resolver problemas, dinamismo, etc. (por favor, não confundam o que descrevo com a bobagem do pensamento positivo - aqui é pensamento baseado na realidade, pensamento racional que busca na realidade soluções para os problemas e que enfrenta as dificuldades do indivíduo).

Como livre pensador eu aprendi a observar a realidade por inteiro: fatores positivos e negativos. Aprendi a pesquisar a realidade e a buscar dados e conhecimentos que pudessem enriquecer minha vida e as minhas decisões. Aprendi que para ter bondade é fundamental ter coragem, pois a bondade é quase sempre entrar numa área de risco. Se desejava entrar numa área de risco deveria ser muito mais equilibrado e honesto comigo mesmo.

Em uma vida livre o cidadão perde mais, mas sua capacidade de ganhar é multiplicada enormemente. O grande problema é que a maior parte das pessoas cultiva a mente defensiva, ou seja, se preocupam prioritariamente em não perder. No caso que citei anteriormente o funcionário acredita que estaria perdendo se não desse o golpe do seguro, pois outros fizeram e se “deram bem”. Eles não querem correr o risco de perder mais esta, afinal são pessoas que por terem a mente defensiva normalmente perdem muito e ganham pouco, muito pouco. Se ela valorizasse seus direitos não iria abusar e o defenderia com unhas e dentes. Com isto iria trabalhar mais contente, procuraria ofertar o melhor de si e cobraria cada centavo a que tem direito; poderia negociar com o patrão novas formas de remuneração e teria disposição para estudar e evoluir na vida (ao invés de se preocupar com novela, fofoca e modismo). Sua vida melhoraria muito e os ganhos se multiplicariam. Posso dizer com certeza: não existe vida melhor.

Observe bem: a elite brasileira não necessita do seguro desemprego, pois possui grana o bastante. Portanto, para ela seg. desemprego é gasto. Todavia, quando o governo financia, com juros subsidiados, as empresas da elite isto não é gasto, é incentivo para produção. Segundo o interesse dela os gastos devem diminuir e o incentivo à produção deve aumentar. Ou seja: no bolso de quem vai parar o dinheiro? Para conseguir adesão social ao seu discurso eles desencadearam uma campanha orquestrada para negativizar os gastos sociais. O resto da história é só seguir a seqüência do círculo vicioso que estabeleci anteriormente.

Depois do funcionário perder muito e negativizar a própria vida ele se torna uma presa fácil para repetir o discurso dos poderosos. No final, o dinheiro, o poder, as mulheres, as mordomias, tudo fica com os poderosos e os seus funcionários ficam horas nos ônibus conversando sobre a vida dos "VIPs" que aparecem na revista “Caras”. Com certeza eles merecem esta vida pois: NINGUÉM É INOCENTE.

 

Ter bondade é ter coragem, ter bondade é quase sempre entrar numa área de risco.

 

 

Recomendo um texto ótimo do blog Viomundo, que os ajudará a entender o tema do controle das massas a partir de fatores de choque e de negativismo/alienação.

http://viomundo.globo.com/site.php?nome=LoucurasQueEuVi&edicao=1254

 

 

 

03/10/2007

Se o mundo consumisse como os EUA, uma Terra seria pouco

 

Estive hoje de manhã no seminário Diálogos Capitais – Sustentabilidade e Responsabilidade Socioambiental, organizado pela revista Carta Capital, que reuniu sociedade civil, governo e iniciativa privada. Apresentei o caso do trabalho escravo nas cadeias produtivas do carvão vegetal e da carne bovina (que têm consumido a Amazônia) e o que tem sido feito para combatê-lo pelos três atores descritos acima, no painel sobre Responsabilidade Social Empresarial e Cadeias de Valor.

Também fizeram parte do painel, Rosângela Bacima, do Grupo Pão de Açúcar, que trouxe a experiência que vem sendo introduzida pelo hipermercado Extra de controle sobre a cadeia produtiva da carne que ele oferta, tanto do ponto de vista do produto quanto do seu processo de produção, através da atuação junto aos fornecedores. E Roberto Smeraldi, da ONG Amigos da Terra, que apresentou o andamento da implantação de um sistema de certificação agropecuária, que deve contribuir com a adequação de cadeias produtivas, como a da pecuária bovina, às normas sócio-ambientais.

Mas vou me focar em outro ponto, levantado pela moderadora Marilena Lazzarini, do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec). Segundo ela, a exploração humana já extrapolou a capacidade de renovação dos recursos naturais do planeta, sendo que apenas um quarto da população do mundo é responsável pelo consumo da maioria dos seus recursos naturais. Em outras palavras se o padrão de vida norte-americano for estendido a toda a populaçao da Terra, precisaremos de outros planetas idênticos para atender à demanda.

Já disse em outras oportunidades, aqui neste blog, que precisamos de uma mudança drástica em nosso comportamento de consumo. Economias como a brasileira, a russa, a indiana e a chinesa (os chamados BRICs) crescem rapidamente. Milhões de pessoas são inseridas anualmente em suas classes médias e, portanto, na categoria de consumidores relevantes. Enquanto isso, a Terra já pediu socorro através das alterações climáticas globais que, infelizmente, são irreversíveis e transformarão a face do planeta que nossos filhos vão herdar. Sem hipocrisia, a discussão agora é pensar em como diminuir o impacto disso e tornar o sofrimento de bilhões de pessoas menor e mais aceitável.

O ato de compra é um voto dado a uma determinada maneira de fazer um produto. Quando adquirimos algo estamos concordando com o que aquilo representa. Que pode incluir desmatamento, poluição do ar, da terra e da água, trabalho escravo, infantil e degradante, e por aí vai. Temos como fazer opções, é só ir atrás de informação - que existe e está disponível.

É interessante o alcance que atinge a dicussão sobre a pirataria de produtos, que representam sonegação de impostos, perda de ganhos para as empresas e, às vezes, produtos de baixa qualidade. Interessante porque, ao mesmo tempo, o alcance da discussão sobre o consumo consciente (comprar o que é realmente necessário e o que não agride a sociedade e o meio ambiente) é limitado. Muitas empresas sabem o mal que fazem suas ações, mas... são negócios! Não estão nem aí, querem que índios, quilombolas, trabalhadores, florestas explodam, contanto que o lucro continue a fluir aos seus cofres. Esse comportamento tem na administração George W. Bush (que se nega a aderir a acordos internacionais para diminuir o impacto das mudanças climáticas, apoiado por empresas dos Estados Unidos) um dos seus símbolos mais bem acabados.

Uma mudança real passa por ações pesadas por parte de indústrias e governos, sim, claro. Mas essa alteração de curso só vai ser sustentável se estiver embasada em alterações de comportamento da sociedade. Aquele badulaque comprado à toa, seja por impulso, seja por vaidade, ou aquele monte de sacos plásticos que você pega no supermercado fazem sim diferença.

O que você tem feito, além de se lamentar, para mudar?
http://blogdosakamoto.blig.ig.com.br/

 

 

 

02/10/2007

LÍNGUA-PENA

Wilson Coelho

 

 

na verdade, eu queria mesmo

era escrever um poema em todo o seu corpo

com a minha carne na sua carne...

escrevendo em frente e verso

e visitando as estrofes

de todos os seus inversos,

reversos...

rimando seus gemidos

e metrificando todos os seus espaços

com a minha língua-pena...

você sendo o suor e o orgasmo

do meu melhor poema.

 

 

 

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01/10/2007

Para entender o Brasil

 

Para quem procura refletir o Brasil é um país hilariante. As vezes parece que é o paraíso da loucura. Só assim para entender as palavras do Ali Kamel (para quem não sabe este é o nome do doidão que dirige o jornalismo da Globo): testar hipóteses. Isto mesmo! Incrível, testar hipóteses: se colar, colou (parece certas universidades: pagou, passou de ano). Para ele o jornalismo não é um ato investigativo, é um ato imaginativo. Quando houve o acidente com o avião da TAM em Congonhas ele testou hipóteses; em menos de 5 minutos culpava o governo federal e a pista pelo acidente. Ficou provado, pelas imagens do circuito interno, que o avião estava em altíssima velocidade... Mesmo assim o doidão manteve a máquina da Globo cultivando a idéia do erro na pista, caos aéreo, etc.

Teve um caso engraçadíssimo(?) de um avião espanhol que teve problemas mecânicos na Espanha e não veio ao Brasil pegar os passageiros. Foi a notícia do dia sobre o caos aéreo, lógico que não informaram os detalhes que agora lhes digo. Ou seja, jornalismo virou ato de delírio. Mostraram os passageiros protestando putos da vida e, lógico, como vítimas do caos aéreo.

Vocês sabem que maluco não para de delirar, ou melhor, testar suas hipóteses. Alguns dizem que a política de testar hipóteses é adequada para a Globo porque torna o jornalismo mais barato. A Globo, que anda mal de dinheiro, com muitas dívidas e audiência em queda, economiza uns trocados. Eu acho que é por preguiça e por questões ideológicas.

Voltando aos teste de hipóteses, esse tal Ali Kamel (que jura que no Brasil não existe racismo) atacou um livro distribuído pelo ministério da educação. Segundo ele o livro faz apologia do socialismo. Se fosse apologia do capitalismo não teria problema. Porém, o preguiçoso não leu todo o livro e a resposta do autor foi ótima (veja abaixo).

Hilariante foi ver a crise histérica do ex-ministro da educação deputado Paulo Renato: "Quando nós, do PSDB, estávamos no governo, evitávamos viés ideológicos na escolha dos livros didáticos” ... Segundo o ex-ministro da Educação, o caso é tão sério que ensejaria até uma ação popular contra o MEC” (texto do site do PSDB).

O desqualificado Paulo Renato fez discursos, deu entrevistas, gritou, deu chilique até ...  até... até ... que foi descoberto que quem liberou o livro para ser distribuído pelo ministério da educação foi ele mesmo. Isso mesmo: quem liberou este livro “horrível” foi ele, o Paulo Renato.

Silêncio na imprensa. Silêncio na rede Globo, hipótese furada. Mudar o pano rápido para outra hipótese.

Eu até imagino – “testo a hipótese” – que deve ser assim na Globo: “moçada a hipótese deu errada. Vamos pensar em outra. Todo mundo na rede, deitado, para a gente pensar em outra hipótese”.

O livro em questão é bom. Eu já li. Conversei com professores de história que adoram o livro. É uma pena que mais uma vez o espírito da destruição venha assolar nosso país.

 

OBS: testar hipótese em um jornal escrito não tem problemas, quem paga o preço são os leitores que escolheram ler besteiras. Quando é rádio e televisão é inadmissível, já que são concessões públicas que devem ser usadas para o bem público. Manipular e desinformar pessoas não é um bom uso. É por isto que quem tiver concessão de rádio e TV deve ter um código de ética a seguir. Se não concordar, muda para outro negócio.

 

 

 

A revista Carta Capital publicou uma ótima reportagem sobre o mercado de livros didáticos, muito instrutiva e equilibrada. Vale a pena ler.

 

 

 

01/10/2007

O livro didático que a Globo quer proibir 

 

 Nova História Crítica da Editora Nova Geração não é o  único nem o primeiro livro didático brasileiro que questiona a  permanência de estruturas injustas e que enfoca os conflitos sociais em  nossa história.  Entretanto, é com orgulho que constatamos que nenhuma  outra obra havia provocado reação tão direta e tão agressiva de uma  das maiores empresas privadas de comunicação do país. 

Compreendemos que o sr. Ali Kamel, que ocupa cargo  executivo de destaque nas Organizações Globo, possa ter restrições às  posturas críticas de nossa obra. Compreendemos até que ele possa querer os livros didáticos que façam crer ''que socialismo é mau e a solução  para tudo é o capitalismo''. Certamente, nossas visões políticas diferem  das visões do sr. Ali Kamel e dos proprietários da empresa que o  contratou. O que não aceitamos é que, em nome da defesa da liberdade  individual, ele aparentemente sugira a abolição dessas liberdades. 

Não publicamos livros para fazer crer nisso ou naquilo,  mas para despertar nos estudantes a capacidade crítica de ver além das  aparências e de levar em conta múltiplos aspectos da realidade. Nosso  grande ideal não é o de Stálin ou de Mao Tsetung, mas o de Kant: que  os indivíduos possam pensar por conta própria, sem serem guiados por  outros. 

Assim, em primeiro lugar exigimos respeito. Nós jamais  acusaríamos o sr. Kamel de ser racista apenas porque tentou argumentar  racionalmente contra o sistema de cotas nas universidades brasileiras.  E por isso mesmo estranhamos que ele, no seu inegável direito de  questionar obras didáticas que não façam elogios irrestritos à isenção  do Jornal Nacional, tenha precisado editar passagens de modo a  apresentar Nova História Crítica como ridículo manual de catecismo  marxista. Selecionar trechos e isolá-los do contexto talvez fosse  técnica de manipulação ultrapassada, restrita aos tempos das edições  dos debates presidenciais na tevê. Mas o artigo do sr. Ali Kamel parece  reavivar esse procedimento.

Ele escolheu os trechos que revelariam as  supostas inclinações stalinistas ou maoístas do autor de Nova História Crítica. Por exemplo, omitiu partes como estas:  ''A URSS era uma  ditadura. O Partido Comunista tomava todas as decisões importantes. As  eleições eram apenas uma encenação (...). Quem criticasse o governo ia  para a prisão. (...) Em vez da eficácia econômica havia mesmo era uma  administração confusa e lenta. (...) Milhares e milhares de indivíduos  foram enviados a campos de trabalho forçado na Sibéria, os terríveis  Gulags. Muita gente foi torturada até a morte pelos guardas  stalinistas...'' (pp. 63-65).

Ali Kamel perguntou por onde seria possível as crianças saberem das insanidades da Revolução Chinesa. Ora, bastaria ter  encotrado trechos como estes: ''O Grande Salto para a Frente tinha  fracassado. O resultado foi uma terrível epidemia de fome que dizimou milhares de pessoas. (...) Mao (...) agiu de forma parecida com Stálin,  perseguindo os opositores e utilizando recursos de propaganda para  criar a imagem oficial de que era infalível.'' (p. 191) ''Ouvir uma fita  com rock ocidental podia levar alguém a freqüentar um campo de  reeducação política. (...) Nas universidades, as vagas eram reservadas  para os que demonstravam maior desempenho nas lutas políticas. (...)  Antigos dirigentes eram arrancados do poder e humilhados por multidões  de adolescentes que consideravam o fato de a pessoa ter 60 ou 70 anos  ser suficiente para ela não ter nada a acrescentar ao país...'' (p. 247)   Os livros didáticos adquiridos pelo MEC são escolhidos apenas pelos  professores das escolas públicas. Não há interferência alguma de  funcionários do Ministério. 

O sr. Ali Kamel tem o direito de não gostar de certos  livros didáticos. Mas por que ele julga que sua capacidade de escolha  deveria prevalecer sobre a de dezenas de milhares de professores? Seria  ele mais capacitado para reconhecer obras didáticas de valor? E, se os  milhares de professores que fazem a escolha, escolhem errado (conforme  os critérios do sr. Ali Kamel), o que o MEC deveria fazer com esses  professores? Demiti-los? Obrigá-los a adotar os livros preferidos pelas  Organizações Globo? Internar os professores da rede pública em Gulags,  campos de reeducação ideológica forçada para professores com simpatia  pela esquerda política? Ou agir como em 1964?

Mario Schmidt – autor do livro  

 

Este é o livro motivo da polêmica.

 

 

 

 

Poesia do Chicão:

 

Coragem para brincar

 

 

 

Coragem para brincar...

Coragem para se exibir ...

Que forma melhor existe para se aceitar?

Eu me aceito como sou,

em todos os ângulos e em todas as posições,

por isto posso brincar e posso sorrir.

Se você tem medo de alguém não gostar

e por isto te abandonar,

saiba que o jeito é perder

para o que é melhor poder chegar.

 

 

 

 

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